quinta-feira, 31 de março de 2011

SAL

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Envergonhada, levanta subitamente enxugando as lágrimas com uma força desnecessária. Num ato quase robótico, hipnotizada pelos próprios pensamentos, abre um estojo metálico do qual arranca um cigarro, atrela-o a boca vermelha e acende com um isqueiro. Neste momento algo brilha em seus olhos, mas não se pode dizer ao certo se é um mero reflexo da chama do isqueiro ou se aqueles olhos já não eram mais os mesmos. Fuma alucinadamente, como se fosse absorver da fumaça a resposta para todas aquelas perguntas.
Saiu de casa apressada, e quando tomou consciência de si se viu na praia de Copacabana, devidamente descalça. Pensava em sua mãe e em seus conselhos e advertências sobre as armadilhas da vida. Armadilhas nas quais fora presa indiscutível. Seus cabelos louros pareciam compreender com doçura a mensagem da brisa salina. Sentia a deliciosa sensação da areia entre os dedos dos pés conflitando com toda a confusão decorrente, seus paradigmas, suas dúvidas. Era um samba alegre intervindo no seu tango.

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1 comentários:

Anônimo disse...

ual, algo muito profundo isso ein? Gostei dessa narrativa bem atual mesmo né? rápida e precisa. Como devem ser os posts e os contos de hoje. parabéns.

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