sábado, 30 de julho de 2011

unicórnios

Os homens são responsáveis pelas grandes guerras, andaimes, guindastes, concreto, cimento, grandes marcos. Vencedores na Terra. Mas se dependesse das mulheres, unicórnios ainda andariam livres pelos quatro cantos do mundo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

amarídeo

no amor palavras fazem toda a diferença:
não a toa "amar" pode magoar e por anagrama se tonar amar go,
uma mágoa no âmago de quem ama,
amar íssimo,
amar ídeo,
amar gura,






ou amar elo brilhante.

70% de teor alcólico

Inimigo de si mesmo
Amigo de ninguém
Fora do sério
e dentro de alguém

Desce comigo

O mundo parou e eles desceram,
mesmo sem saber que isso era possível
O mundo parou e eles deram as mãos
sem saber que isso era cabível

Feito terra e lua
os mais distantes,
incompatíveis,
verdadeiros e
profundos,
amantes.

O que é a gravidade perante a atração de dois corpos celestes?
na fração de um beijo flutuar é incrível.

não tenho mais medo do escuro, viu?
tenho vontade.
pela primeira vez o escuro é aconchegante
por que eu sei que para cada dois amantes
sempre existem um bilhão de estrelas cintilantes.

quem quiser ser tragado por esse buraco negro,
é só descer,
flutuar,
e não temer.

Por que não tenho mais medo do escuro, viu?
tenho vontade.
pela primeira vez o escuro é aconchegante
E eu sei que para cada dois amantes
sempre existem um bilhão de estrelas cintilantes....

no céu

quarta-feira, 1 de junho de 2011

um segundo

...e de repente, por um segundo, ela parecia ser dona de todos segredos do universo. Mas como um segundo é pouco para apreender tanta coisa, no segundo seguinte ela não sabia de mais nada...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Extra! Extra!

O primeiro buraco negro encontrado no planeta terra foi visto hoje durante a cirurgia no coração de um homem. Infelizmente ninguém sobreviveu para contar história, nem mesmo o hospital. Este jornal apenas ficou sabendo da história através da ligação da mulher de um dos faxineiros, que antes de desaparecer completamente da superfície da terra relatou estar sentido nada. Tudo escuro e ele sentindo nada. Até que ela própria presenciou a voz do seu marido se transformando em nada para ela e resolveu relatar sua história a alguém, antes que ele fosse um nada também. Atualmente a mulher do faxineiro, que pode ser qualquer uma visto que ela não se lembra do nome do marido, está tendo acompanhamento psicológico. Há dois meses tentam explicá-la que seu filho não foi concebido através do poder do Espírito Santo, mas que, contudo, seu marido jamais existira. Mandamos três vezes consecutivas três de nossos repórteres para o local, mas não conseguimos lembrar quem, visto que eles não existem e jamais existiram.
Conversamos com as pessoas da redondeza, que viram através da janela de seus banheiros que o nada aumenta à medida que curiosos e desavisados são tragados pelo buraco negro. O governo recomenda que ninguém tente se aproximar do não-local. Inclusive os cientistas do próprio governo, todos engolidos pelo nada, foram poibidos. Mesmo depois de deixarem de existir. Antes de sumir um dos cientistas do governo deixou num bilhete escrito com uma caneta que sumiu também sua descoberta: o tecido cardíaco é capaz de con... Só isso que deu tempo de escrever, antes que o papel sumisse. Por causa dessa meia-revelação (melhor que nada), o governo proibiu também todo tipo de cirurgia no coração a partir da data de hoje com medo de incidentes similares. A recomendação dada é: se você tem algum problema com seu coração, conserte-o em casa. Os métodos permitidos são: reza e cirurgia espiritual, no centro espírita mais próximo de sua casa.
A população por sua vez encontra-se dividida: uns apoiam alguns cientistas que propõem a retirada do coração logo no nascimento, antes do crescimento do buraco negro, e a substituição por um sistema de bombeamento de sangue mecânico. O argumento dado é que é melhor não ter coração se isso significar que continuaremos existindo. As empresas de automóveis também apóiam o movimento, já que seriam as maiores beneficiadas, pois passariam a frabricar corações. Outra parte da população, a Frente de Libertação dos Buracos Negros (FLBN), é de opnião que toda a população seja submetida a uma leve perfuração do coração, para que, caso exista um buraco negro, ele seja liberado e jogado dentro de outro buraco negro, fazendo com que eles se auto-engulam. Físicos e Astrólogos já trabalham nos cáculos e afirmam que há, inclusive uma fórmula de física de Einsten que ajuda a solucionar o problema de posicionamento de dois buracos negros para que eles se anulem. É algo parecido com a regra de matemática negativo e negativo vira positivo. Nada mais nada, vira tudo. A FLBN afirmou que, independente das especificações do governo fará os procedimentos clandestinamente afinal "o coração é nosso e fazemos o que bem intendermos com ele." palavras deles. Há a esperança de recuperar as pessoas desaparecidas, inclusive o hospital.
Finalmente, o governo pede que a população se acalme e promete que um plebiscito popular será realizado no dia em que a situação estiver completamente de fora de controle.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Perdi? Que bom.

Era tudo tão monótono, tão tardes-de-domingo. Embaixo de um pé-de-não-sei-o-quê ficávamos não sentados, mas pairando num banco de cimento. Flutuando nos sorrisos. Adivinhando o futuro nas formas das nuvens. Passando pela vida como se houvessem infinitilhões delas para viver. Sem aquela pressa que não deixa reparar nos olhos. Com a calma de quem não conhece o tempo, de quem é dono de um relógio que conta uma hora para cada setecentos e noventa e três gargalhadas. Mas como tudo tem um mas, você cresce. E passa a achar que gargalhadas são horas perdidas. E seu relógio passa a contar uma hora para cada setecentos e noventa e três relatórios e um minuto para cada duzentos sorrisos que as pessoas te dão e você nem repara. E então você descobre que o nome daquilo não era preguiça de tardes-de-domingo, era paz. Felicidade, afinal, é tempo perdido.

um copo meio cheio.

- Nunca te disseram que a vida nem sempre é do jeito que a gente quer?
- Disseram... mas eu escolhi não acreditar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sem gelo, por favor.

Queria alguma embriaguez, qualquer que fosse, para viver todo dia como se fosse primeiro de abril. Alguma coisa que me cause o impacto necessário nos dias de hoje. E de preferência com limão. E sem gelo, por favor. Você. Com limão. E sem gelo,


por favor.

quinta-feira, 31 de março de 2011

SAL

(...)

Envergonhada, levanta subitamente enxugando as lágrimas com uma força desnecessária. Num ato quase robótico, hipnotizada pelos próprios pensamentos, abre um estojo metálico do qual arranca um cigarro, atrela-o a boca vermelha e acende com um isqueiro. Neste momento algo brilha em seus olhos, mas não se pode dizer ao certo se é um mero reflexo da chama do isqueiro ou se aqueles olhos já não eram mais os mesmos. Fuma alucinadamente, como se fosse absorver da fumaça a resposta para todas aquelas perguntas.
Saiu de casa apressada, e quando tomou consciência de si se viu na praia de Copacabana, devidamente descalça. Pensava em sua mãe e em seus conselhos e advertências sobre as armadilhas da vida. Armadilhas nas quais fora presa indiscutível. Seus cabelos louros pareciam compreender com doçura a mensagem da brisa salina. Sentia a deliciosa sensação da areia entre os dedos dos pés conflitando com toda a confusão decorrente, seus paradigmas, suas dúvidas. Era um samba alegre intervindo no seu tango.

(...)

terça-feira, 29 de março de 2011

Confusão teórica

Gérad Genette, Antonio Candido, Oswald Ducrot, Mikhail Bakhtin, Alfredo Bosi, Willi Bolle, Sigmund Freud, Mao Tsé Tung, João Luis Lafetá, Karl Marx, Eric Hobsbawn, Gérad Lafetá, Wolle Billi, Antonio Freud, João Marx, Alfredo Karlos, Karl Tsé Tung, Eric Billi, João Luis Candido, Figmund Sreud, Alfredo Ducrot, Ericmund Bakhtin, Mao Bosi, Marl Karx, Genettsé Tung, Bikhail Makhtin, João Luis Antonio Alfredo Owaldo de Candido Mello & Souza e a Consolidação Concisa de uma Leitura Estrutural-Histórico-Polifônica dos Ideais Marxistas.

segunda-feira, 28 de março de 2011

OS SOBREVIVENTES, Caio F. de Abreu

SRI LANKA, quem sabe? Ela me diz, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? uma certa saudade: em Sri Lanka, brincando de Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodka nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz rouca, fico por aqui comparecendo a atos públicos, entre uma e outra carreira, pixando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sócio político artístico filosófico existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro, e não queria lembrar mas não me saía da cabeça o teu pau murchos e os bicos do meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, e eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, mas não sei se você acreditou. Quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanta tesão mental espiritual moral existencial e nenhuma física, e eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, ai como éramos diferentes, éramos melhores, éramos mais, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou, cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, enfiava fundo o dedo na buceta noite após noite pedindo mete fundo, coração, explode junto comigo, depois virava de bruços e chorava no travesseiro porque naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? Naquele bar infecto onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, o que acontece é que como bons-intelectuais-pequeno-burgueses o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virginia Woolf, como era mesmo? Vita, Vita Sackville-West e o veado do marido, não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados, me passa a vodka, o quê? e eu lá tenho grana pra comprar wyborowas? não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Peço cigarro e ela me atira o maço na cara, com que joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, afinal você naquele tempo ainda não tinha se decidido a dar a bunda, nem eu a lamber buceta, ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50, em Paris; 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun, little darling; 70 em Nova Iorque dançando disco-music no Studio 54; 80 a gente aqui, mastigando essa coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora em esquecer esse gosto azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço? Não é plágio do Pessoa, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesuzinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma, você vai curtir os seus nativos de Sri Lanka depois me manda um cartão-postal contando qualquer coisa como ontem à noite, à beira do rio, deve haver um rio por lá, um rio lodoso, cheio de juncos sombrios, mas ontem na beira do rio, sem planejar nada, de repente, por acaso, encontrei um rapaz de tez azeitonada e olhos oblíquos que. Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, ,a questão é onde, ,não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhada entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhos do Ferro’s Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, ouvindo samba-canção e blues com caipira de vodka, neste apartamento que pago com o suor do potencial criativo da bunda que dou oito horas diárias pra aquela multinacional fodida. Mas eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca, me passa o cigarro, não estou desesperada, ,não mais do que sempre estive, não estou bêbada nem louca, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, não se preocupe, depois que você sair tomo banho frio, lente quente com mel de eucalipto e gin-seng, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma? Passa devagar a tua mão na minha cabeça, no meu coração, eu tive tanto amor um dia, pára e pede, preciso tanto, tanto, tanto, bicho, não me permitiram, então estendo os dedos e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo muito feia e meio puta e muito velha e completamente bêbada, eu não tinha essas marcas em volta dos olhos, eu não tinha esses vincos em torno da boca, eu não tinha esse jeito de sapatão cansado, e eu repito que não, que está linda assim, desgrenhada e viva, ela pede que eu coloque uma música e escolho o Noturno número dois em mi bemol de Chopin, quero deixá-la assim, dormindo no escuro, sobre este sofá, ao lado das papoulas quase murchas, embalada pelo piano remoto como uma canção de ninar, mas ela se contrai violenta e peded que eu ponha Angela outra vez, então viro o disco, amor meu grande amor, caminhamos tontos até o banheiro onde sustento sua cabeça sobre a privada para que vomite, e sem querer vomito junto, ao mesmo tempo, os dois abraçados, bocas amargas, fragmentos azedos sobre as línguas, ela puxa a descarga e vai me empurrando para a porta, pedindo que me vá, e me expulsa para o corredor dizendo não esqueça então de mandar um cartão de Sri Lanka, aquele rio lodoso, aquela tez azeitonada, que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair. Atrás da madeira, misturada ao piano e à voz rouca de Angela, nem que eu rastejasse até o Leblon, consigo ouvi-la repetindo que tudo vai bem, tudo continua bem, tudo muito bem, tudo bem. Axé, axé, axé! eu digo e insisto, até o elevador chegar. Axé, odara